segunda-feira, julho 30, 2007

À minha amada

Acordei tarde. A luz do sol aquecia meu leito. Meu não, o nosso. Ainda estavam presentes os ecos de nossos suspiros. Pelas paredes. O suave cheiro de seu perfume impregnava nosso quarto. Tantas lembranças me assaltaram, meu amor. Estou submerso em recordações. Desde o primeiro momento em que nossos olhos se encontraram. Lembro-me bem da luz radiante que a cercava. Do sorriso faceiro que teimava em permanecer em sua face. Das primeiras e tímidas palavras que trocamos. Pensei, naquele instante, em um poema, de Neruda ou de outro qualquer. Não importa. Minha mente estava repleta de você. Agora, sonho acordado. Embalado por sua voz, que sei distante, mas não ausente. Imagino por onde teus pés a estarão levando. Pobre de mim, que não posso acompanhá-la. Sabes bem que não por minha vontade. Estaríamos, se assim o fosse permitido, caminhando pelas areias da praia, desvendando o significado do barulho do mar. O sol não seria um concorrente à altura. Seu brilho ofusca a mais bela das estrelas. Peço aos anjos, seus guerreiros, serenidade para enfrentar a minha saudade. Saudade, sentimento tão dúbio, angustiante e voraz. Devo, não, preciso colocar em palavras, mesmo incertas, a impressão de tantos sentimentos. Traço, em papéis alheios, estas linhas. Minha herança, ávida esperança, para nosso futuro. Insisto em fazê-lo, mesmo sem saber como. Guarde esta carta, minha amada, com carinho. Uma prova de que estou preenchido pelo meu amor por você.

Escrito ao alvorecer de um dia qualquer.



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Visitem o Pseudo-Poemas. Leiam também o que publico no Cantábile. Em ambos estão os textos proibidos pela bíblia e pelo Vaticano. E agora também no Memórias Póstumas de um Puto Prestimoso.

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