quarta-feira, maio 05, 2010

Projeto "Doe palavras"

Divulgando email recebido que achei muito interessante.

O Hospital Mário Penna em Belo Horizonte que cuida de doentes de câncer, lançou um projeto sensacional que se chama "DOE PALAVRAS". Fácil, rápido e todos podem doar um pouquinho. Você acessa o site www.doepalavras.com.br escreve uma mensagem de otimismo, curta (como twitter) e sua mensagem aparece no telão para os pacientes que estão fazendo o tratamento. É bela a reação de esperança de muitos dos pacientes. Participem, não apenas hoje, mas sempre que puderem, doem um pouquinho das suas palavras e de seus pensamentos.

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sexta-feira, abril 30, 2010

Pecador

Enveredei-me em estreita trilha. Carregado de pudores, pesados e disformes, fui largando-os a cada passo. Desvesti-me dos dogmas e pré conceitos. Vislumbrei, ao longe, na trama das árvores nuas, a ardente luz dos pecados. Tentei-me, ah essa insidiosa tentação. O bafejo quente da inveja, dos orgíacos e devassos, me cobriu. Tolo, cobicei o gosto das mulheres que não tive em minha casta vida. Tê-las todas em minha cama, somente minhas. Desfrutar, então, de prazeres jamais sentidos e enroscar-me na teia da luxúria. Desempenhar como vigoroso garanhão, altivo, potente, incansável. Desprezar o lânguido ressonar dos valentes guerreiros após árdua batalha. Já tive demais disso em minha outra vida. A melíflua preguiça.

Com minhas mãos abro o caminho nessa vereda, palmo a palmo, gotejando o meu puro sangue, embebendo a terra antes sacra que pisei. Desfiz-me de pudores, vesti-me de pecados, para adentrar o inferno e, em fúria incontida, ceifar os demônios.



(Imagem: A tentação de Santo Antônio de Salvador Dali, e que foi gentilmente enviada por uma amiga muito querida)

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sábado, março 20, 2010

Devaneio

Hoje não escreverei um poema, nem um texto denso. Falarei aqui da SPSD, a Síndrome do Pseudo Sentimentalismo Depressivo. Você já deve ter cruzado com algum portador. É aquele que vai no seu blog e, depois de ler a porcaria que escreveu, deixa um singelo comentário do tipo "ai, que lindo", inócuo, impessoal e idiota. Nada mais irritante, pelo menos para mim, do que ler "gostei do seu blog, visite o meu". Ou pior, o portador dessa estranha doença tem o péssimo hábito de tentar interpretar o que leu, fazer algum metafísico juízo de valor a seu respeito e tomar partido. Principalmente quando lê um comentário seu em blogs alhures, onde, com a licença do escritor, e baseado na liberdade que ele te dá, traça um comentário jocoso. Outro traço macabro deste personagem caricato é o gosto duvidoso por artistas que morrem, de doença ou suicídio, e cuja fama ocorre post-mortem. Eu, se me for permitido, quero desfrutar da fama e do dinheiro enquanto vivo, caso contrário, foda-se. Se pudesse escolher minha morte, prefiro que seja baleado, aos 98 anos, por um marido corno e garotão, que me flagrou metendo furiosamente no rabo nunca-antes-dado-ao-marido-inepto, de uma gostosa e safada mulher de 20 e poucos anos.

Por último, por favor, peguem seu pseudo-sentimentalismo depressivo viado de grosso calibre e enfiem bem no meio do olho do seu cu.

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segunda-feira, março 08, 2010

Cego


Aos tropeços, cego, tateei ao longo do muro. Áspero era o toque, árdua a caminhada. Mesmo assim não desisti. A cada passo, um aroma. Nem sempre agradável. Esgotos exalavam sua carga putrefata. Só podia rezar para não patinhar na decomposição. Precisava encontrar o umbral, o limbo que libertaria meu corpo, a entrada para a paradisíaca utopia. E continuava tateando. Minhas esperanças minguavam a cada minuto. Longo era o muro, repetidos os aromas. Encontrei, surpreso, minha bengala. O ciclo se fechara. Morreu, enfim, por último, a esperança.

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segunda-feira, fevereiro 15, 2010



Curvo-me, cansado,
sobre estacas carcomidas,
fustigado, sem piedade,
pelos abutres da memória.

Curvados ombros,
de poleiro, estão servidos,
lembranças, a pútrida carne,
deixo-os a devorar.

Instigo-os, amargo,
com a palma da mão,
sirvo o cruento manjar.

"Deliciem-se, malditos,
libertem-me".

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Estranho



Em águas profundas,
ao vento me lanço,
capitão sem rumo,
estranho marinheiro.

Em névoas me calo,
acerto o compasso,
no incerto trovejar.

Capitão sem convés,
sem leme, través.

Aprôo agora certeiro,
abraço a morte, doce,
no derradeiro nevoeiro.

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domingo, janeiro 10, 2010

Pensieri e parole

Fui entrevistado pela Meiroca!!! Leiam amanhã AQUI

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quarta-feira, dezembro 09, 2009

Dormir



Abraçado ao poste,
vomito a bile,
forro do leito,
onde dormirei.

Sinto carícias, tímidas,
línguas ásperas,
dos cães sarnentos,
alegres com meu retornar.

A vigília vil,
das putas histéricas,
não será necessária.

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terça-feira, novembro 03, 2009

Divulgando - Novo livro de Rodrigo Capella

Rodrigo Capella lança décimo livro

O escritor e poeta, Rodrigo Capella, autor de “Transroca, o navio proibido”, que está sendo adaptado para o cinema pelo diretor Ricardo Zimmer, acaba de lançar o seu décimo livro. Trata-se de “Mistérios em Floripa”. Com muita ação e suspense, o décimo livro do autor é envolvente e pode ser lido em apenas uma tarde. Tudo começa no clássico do futebol catarinense (Avaí e Figueirense) e depois ganha as ruas de Florianópolis. Leia e ajude a desvendar quem matou o jogador Leleco, a estrela do Leão da ilha.

Em tempo: O presidente do Avaí, Zunino (na foto abaixo), já recebeu um exemplar. Para você adquirir o seu, entre em contato com o autor pelo e-mail contato@rodrigocapella.com.br

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segunda-feira, outubro 19, 2009

Divulgando - Podcast com dicas de livros

O escritor e poeta Rodrigo Capella, autor de “Transroca, o navio proibido“, que será adaptado para o cinema pelo diretor Ricardo Zimmer, acaba de lançar o PodCast Virando a Página. Toda semana, o autor irá apresentar uma nova dica de livro. Para ouvir, acesse: http://virandoapagina.mypodcast.com/index.html

Siga-o no twitter em @Rodrigo_Capella

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terça-feira, setembro 29, 2009

Som



Sou o eco, seco,
propagado,
no vácuo.

Fui, não mais o sou.


Gostaria muito de agradecer a uma grande amiga que, gentilmente, criou este novo template. Imagem de autor desconhecido.

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terça-feira, setembro 01, 2009

Divulgando

Tem texto novo no Juarez, o Cabrito Montês. AQUI.

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segunda-feira, agosto 24, 2009

Disputa


Em sobressalto, salta, à boca do cadafalso,
a corda, tensiona, esgana,
o pescoço esgarça,
bravamente luta, guincha,
afinal, o estalo vertebral.

Na morte paralítica,
esvai-se em merda e sêmen.

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terça-feira, agosto 18, 2009

O suspiro de um morto. AQUI.

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terça-feira, julho 14, 2009

Rasgar


Não é só dor,
nem tristeza.
É a lâmina cega da auto-piedade,
que rasga meu peito.

O sangue verte,
tolda o espelho,
a ferida,
não mais sentida.

Só me restou sentir,
o esmaecer do rubor.

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Evoé, baco


E, de súbito,
Morreu.

Fulminado pela cirrose,
Sufocado em bile,
Estremecendo, na sarjeta.

Choraram as putas,
Os mendigos, os cafetões,
Condoeram-se os passantes.

Enfim, liberto, ergueu um brinde,
O primeiro de uma nova vida.

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quarta-feira, junho 24, 2009

Pureza


O ódio é puro. Não tem pudicícia, nem interesse. É único. Focal. Não há ambiguidade. A faca cravada no coração do amante resvala. Ao odiar, o inimigo é atacado com fúria insana. Até a morte.

O ódio é uma arte. Não há a dissimulação do amor.

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segunda-feira, junho 08, 2009

Oportunidade

A coletânea XXI POETAS DE HOJE EM DIA(NTE), organizada pela Priscila Lopes e Aline Gallina, está com um preço especial na Livraria Livros&Livros e pode ser adquirida pela internet, através do link direto AQUI.

Boa leitura.

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terça-feira, maio 12, 2009

Riso


Aqui estou, na sarjeta, onde me deixei cair. Ébrio, talvez um pouco mais do que o costume, envolvido pela poça de vômito quase seca. Entre as nuves etílicas lembro de nossa conversa, a última, antes de vê-la acompanhar mais um de seus clientes. Riu-se de mim, pena e escárnio. De nada adiantaram as súplicas, meus gestos de carinho, os presentes caros, a cachaça, as margaridas. Desdenhosa, foi abrir as pernas por uns trocados. Retirei-me, então, cambaleante, acompanhado de sua gargalhada. Amparado por suas amigas putas, que sorriam.

O porquê das putas rirem será sempre um mistério.

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terça-feira, abril 28, 2009

Missiva

Minha dama, a quem no coração guardo, mesmo pequeno, um canto. Escrevo-te em pequenos versos, pequenos e talvez inúteis, sabedor que sou da distância amarga que nos separa. Digo-lhe, sem rodeios, que ainda trago a imagem fugaz de seu faceiro sorriso. Espero que o tempo esteja sendo benevolente e trazendo boas coisas, para seu manuseio. Estou fugindo do assunto. Às vezes a saudade faz sua ronda, batendo em minhas costas com seu açoite. Assim me lembro que nem tudo passou, nem passará. Espero que esta missiva não se perca, entre tantas que, com certeza, recebes. Leia com vagar. Navego agora mesmo para alhures, sem destino. Atrás do amor que perdi.

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