O agudo silvo do apito anunciou a partida. Na plataforma os últimos enfermos são amparados em seu embarque. Estranhamente não há despedidas. Apenas alguns sãos, com suaves sorrisos. Não há choros, lágrimas ou risos. Não há atrasados em louca disparada. O choque e a dor, companheiras das súbitas partidas, estão lá, impávidas, inclementes. O lento iniciar da viagem é ainda desconexo. Não desperta aqueles que dormem. Fecham-se as portas. Encerra-se uma estada, breve, mas jamais passageira.
Uma multidão encaminha-se, inexorável, à estação. Sem aflições, apenas incertezas. Ouço o sino dobrar, marcante, definitivo. Por todos nós.
Sábado, Agosto 02, 2008
Partida
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Sábado, Junho 21, 2008
Procissão
Indeciso, assisto a marcha,
as milhares almas penadas,
em silente arrasto, grilhões gementes,
rostos retorcidos,
esgares insanos, agônicas bocas,
mortas.
Decidido, entrego-lhes o único copo,
da doce água que tenho.
Por condições atmosféricas de temperatura e pressão fiquei fora do ar. Volto aos poucos e peço a compreensão.
Publicado por Ricardo Rayol às Sábado, Junho 21, 2008 |
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Sexta-feira, Junho 13, 2008
Profanos
Entorno longos tragos,
da redentora cachaça
ajoelho-me, em louvor,
ao sacro copo
a dose bem-vinda
Trôpego, caminho
em meio a multidão
bastardos, são todos
desprezam-me, evitam-me.
Um bafo fétido, exalo,
em fúria silenciosa
penso nas putas, as deles
as patricinhas safadas
demônios, santarronas
ocultas em asas de anjos.
Penso nas minhas putas,
estas sim, mulheres de verdade
amam meu infortúnio, minhas dívidas
meu sofrimento.
Somos iguais, eu e elas,
anjos, em pele de demônios.
Originalmente publicado no blog Pseudo-Poemas.
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Sábado, Maio 17, 2008
Patíbulo
O processo foi extenuante. Condenada, caminhou lentamente ao longo do corredor. Perguntada quais suas últimas palavras, respondeu: Aceito!
Inspirado nesse mini-conto AQUI.
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Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008
Procura-se
Que busca é essa,
incessante, insana,
pela musa perfeita,
a intocável santa oferecida?
Procuro as imperfeitas,
as putas sofridas, as loucas, sujas,
as bêbadas do cabaré,
estas sim, eternas,
no frio mármore,
talhadas,
na tela alva e crua,
ungidas,
em versos, de tristes letras,
declamadas.
Onde estarão elas?
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Está no ar o nono episódio da saga inter-galáctica "National Kid e as ninfas de Urânus". Não percam!! Leiam AQUI, no A Casseta do Cabral.
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Quarta-feira, Janeiro 30, 2008
Passante
Não gosto de funerais,
dos soluços incontidos,
o desespero fútil.
Admiro as camas,
do putrefato descanso,
eterno,
único berço,
carcomido, esplêndido.
O descanso eterno,
eterna amnésia,
não lembrarei mais de ti.
Revolvo-me, mudo, pelo portão,
imerso na paisagem,
da cidade muda.
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E hoje tem estória nova lá no blog do simpático Juarez, o Cabrito Montês. Leiam AQUI.
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Segunda-feira, Novembro 26, 2007
Penitência
Em solitário retiro
medito, quase insano,
amordaçando as mandíbulas,
os irrequietos trituradores.
Sugo, sôfrego, os ares fétidos
alimento-me dos odores
do verde bolor do qual me cerco.
Calo-me, ascético, diante da gula
do insaciável, e desmedido,
prazer da deglutição.
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Um vídeo, para conhecerem um pouco do Rayol por trás do poeta.
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Quinta-feira, Novembro 01, 2007
Profanos
Entorno longos tragos,
da redentora cachaça
ajoelho-me, em louvor,
ao sacro copo
a dose bem-vinda
Trôpego, caminho
em meio a multidão
bastardos, são todos
desprezam-me, evitam-me.
Um bafo fétido, exalo,
em fúria silenciosa
penso nas putas, as deles
as patricinhas safadas
demônios, santarronas
ocultas em asas de anjos.
Penso nas minhas putas,
estas sim, mulheres de verdade
amam meu infortúnio, minhas dívidas
meu sofrimento.
Somos iguais, eu e elas,
anjos, em pele de demônios.
Escrito pelo Bêbado de Rayol, completamente embriagado pela vida.
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Aos sábados, escreverei um texto inédito no blog Livro Aberto. Prestigiem. Participo também do Coletânea Artesanal. São muitos trabalhos fantásticos. Recomendo a visita.
Leiam o blog Pseudo-Poemas e o que publico no Cantábile. Em ambos estão os textos proibidos pela Bíblia e pelo Vaticano.
E agora no Memórias Póstumas de um Puto Prestimoso.
No dia 11/12 convoco a todos para uma blogagem coletiva. Para saberem qual o tema entrem aqui. Divulguem e participem.
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Segunda-feira, Agosto 06, 2007
Peregrino
Arrasto-me, em chagas,
por improváveis sendas
carregado de cruzes, pedras,
pecados,
dôo-me em oração
desesperadas rezas
aguardo a resposta.
Tumbas envolvem-me, desnorteiam
castigado pelo infortúnio
não vejo o fim
de tão amargo sofrer.
No fim
em cruzeiros sagrados,
jamais profanados,
descarrego as súplicas
o destino traçado
enfim, é minha bandeira,
peregrinação.
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Visitem o Pseudo-Poemas. Leiam também o que publico no Cantábile (hoje tem texto novo). Em ambos estão os textos proibidos pela bíblia e pelo Vaticano. E agora também no Memórias Póstumas de um Puto Prestimoso.
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Quinta-feira, Julho 26, 2007
Penso
Caminho
meditativo
na vereda dos pensamentos
pré-conceitos
cercas-vivas
medíocres constrangimentos
me sufocam.
São gélidos
os ares que me cercam
a brisa, como milhares de lâminas,
corta minha carne
trajo apenas,
em farrapos,
minhas idéias.
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Visitem o Pseudo-Poemas. Leiam também o que publico no Cantábile. Em ambos estão os textos proibidos pela bíblia e pelo Vaticano. E agora também no Memórias Póstumas de um Puto Prestimoso.
Prestigiem o lançamento do livro BRINCANDO COM PALAVRAS, da nossa amiga Márcia (Clarinha). Se quiser ajudá-la, divulguem a obra publicada. Para adquirir o seu exemplar, visitem o blog.
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Sábado, Junho 30, 2007
Posse
tu és minha
mulher amada, maldita
nutra-se de mim
beba-me
sorva-me
ao saciar-se
esconda-me
suprima-me, sublime-me
deixe-me
em gritos
silenciosos
roucos
vazios
mortos.
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Prestigiem o Pseudo-Poemas. Leiam também o que publico no Cantábile. Em ambos estão os textos proibidos pela bíblia e pelo Vaticano.
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Terça-feira, Junho 12, 2007
Pirata
sou
navegante vagabundo
vagueio as ondas
espumantes cristas
de ares salgados
da gávea governo
sem rumo, sem leme
volteio-me em eixos
observando estrelas metafóricas
cruzo paralelos e equadores
busco marcações invisíveis
no largo horizonte
revejo meus mapas
re-traço meus rumos
e recomeço.
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Meus Amigos, o Cantábile, agora com a minha humilde colaboração, foi indicado para concorrer ao "Blog da Quinzena". A partir do dia 15/06 contamos com o voto de vocês !
Prestigem o Pseudo-Poemas e o Cantábile. Em ambos estão os textos proibidos pela bíblia e que não posso publicar aqui.
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Quinta-feira, Abril 19, 2007
Porto
aporto
em
ansiado cais
trapiche morto, roto
único porto
que acolhe
barco combalido
deixo fardos, cargas
tormentos, desilusões
alivio-me
carrego-me, energizo-me
me afasto célere
do cais
(Especial para minha amiga alada. Desconheço a autoria da imagem)
Tem post novo no pseudo-poemas. 20/04: Tem post novo também no Cantábile.
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Domingo, Abril 01, 2007
Poeta

cria em caos
loucuras
censura
castra, barra
esmaga
sonhos, sentimentos
críticas
podam, infernizam
toco, retoco
retorço
páginas em branco
carentes
infelizes
amasso-as, liberto-as
(desconheço a autoria da imagem)
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Segunda-feira, Março 19, 2007
Profeta

Vejo agouros
Percepções
Em névoas etéreas
Alcanço caminhos
Desvendo mistérios
A vida desnudo
Em jogos
Vejo loucura
Medos, dúvidas
Pedras
Trilhas tortuosas
Quero lucidez
À insanidade rogo
Clemência
(Desconheço a autoria da imagem)
O Cor da Letra está concorrendo ao próximo blog da quinzena. Colaborem votando no banner ao lado. A Saramar também está lá com o seu "Abrindo Janelas".
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Terça-feira, Dezembro 19, 2006
Passagem
Pérfida morte
Violente-me 
Dor ultrajante
Da separação, desespero-me
Sem motivo
Imobilizo-me
Imóvel, permaneço
Impotente, pereço
Padeço, protesto
Punhos erguidos
Ao vento uivo
Consternado aceito
Banal é ela
A morte
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Sexta-feira, Novembro 24, 2006
Pecado

Vil pecado
Sucumbo
Aos seus desígnios
Onde estás
Solitário pecado
Encontra-me
Domine-me
Atende meus apelos
Minhas suplicas
Pecado, quase mortal
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Quarta-feira, Novembro 15, 2006
Pedras

Pedras
Amassam, esmagam
Rolam, compactam-se
Amontoam-se
Pedras
Escoram, amparam
Rolam, fraturam-se
Separam-se
Pedras
Marcam, cercam
Rolam, constroem
Demarcam
Pedras
Dividem, colidem
Rolam, correm
Transformam-se
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Quinta-feira, Novembro 09, 2006
Partida
Apagam-se as luzes
Fecham-se as cortinas
Arrumam-se os lençóis
Partida
Sem direção
Sem destino
Sem você
Arde a ferida
Aberta no peito
Na alma
Parto
Sem volta
(desconheço a autoria da imagem)
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Domingo, Novembro 05, 2006
Poetisa
Sonho acordado
Com suas lembranças
Devaneios
Farol iluminando
Os caminhos e descaminhos
Da alma
Pura, eterna
Realidade
Que se aproxima
Surge
Sugere
Tua obra, poetisa
Concreta, abstrata
Comove
E apaixona
Publicado por Ricardo Rayol às Domingo, Novembro 05, 2006 |
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