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sexta-feira, julho 12, 2013

Ebulição

São diversos os caminhos,
em caminhos diversos.

A espada dá a direção,
reflete então o espelho,
as pegadas em dispersão.

Os caminhos são diversos,
caminho em diversos, são.

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quarta-feira, julho 25, 2012

Ex-critor


Sua pena era apenas uma extensão do devaneio,
que relutante, a duras penas, desfiara, 
em traços ininterruptos, 
sua quimérica história. 

Afogado em princípios,
entregara-se, com paixão, 
agora, idiotizado, sofria sua ausência.

Onde estaria você, inspiração?

Desconheço a autoria da imagem.

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segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Estranho



Em águas profundas,
ao vento me lanço,
capitão sem rumo,
estranho marinheiro.

Em névoas me calo,
acerto o compasso,
no incerto trovejar.

Capitão sem convés,
sem leme, través.

Aprôo agora certeiro,
abraço a morte, doce,
no derradeiro nevoeiro.

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terça-feira, julho 14, 2009

Evoé, baco


E, de súbito,
Morreu.

Fulminado pela cirrose,
Sufocado em bile,
Estremecendo, na sarjeta.

Choraram as putas,
Os mendigos, os cafetões,
Condoeram-se os passantes.

Enfim, liberto, ergueu um brinde,
O primeiro de uma nova vida.

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segunda-feira, setembro 22, 2008

Encontro marcado

Esperara por anos aquele dia. Contara as horas e minutos. Imaginara como seria o encontro. Cada passo, cada gesto, cada palavra. Com esmero se preparou. No momento certo ouviu um silvo, agudo, ensurrecedor. O contato áspero da foice em seu pescoço não foi surpresa. Surpresa era a face da morte. Não a imaginara tão bonita.

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Estação

O cálido raiar do sol a aqueceu em seu leito desalinhado, as marcas do combate ainda vivas. O ar frio, repleto de pólen, encheu suas narinas. Um violento espirro a lembrou. Era primavera.

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terça-feira, junho 17, 2008

Expiatório

O relógio na parede tiquetaqueia,
agarro-me ao arco,
do pêndulo rítmico,
não sou eu a flecha certeira
que na pedra se parte,
esfacelando meus punhos,
nas pontas das facas,
os punhais afiados.

Insisto na sobrevivência
do melhor, do capaz, do mal.

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sábado, maio 03, 2008

Esquife


Palmilho, teimoso, o mudo fim,
agônico, suo o suor frio da morte,
ante a forja faiscante, ao som da bigorna

O acerto duro, do golpe certeiro,
atroz açoite cadenciado,
marca-me o ocaso, impiedoso.

Já são secas as lágrimas, não há despedidas
apenas a pedra no espelho manso do lago,
que estilhaça o reflexo das mil faces atemporais.

Forjo, em aço, o ataúde,
a morada final da alma indestrutível,
minha síntese, o cerne,
quem eu realmente sou.


A quem quiser conhecer um pouco do meu passado convido para dar um pulo AQUI.

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domingo, abril 20, 2008

Embriaguez


Não meço palavras,
palmilho a linha de cálices,
das amargas que bebi,
calculo o gozo em cada mulher,
de quem o amor comprei.

Na certeza da mesa,
prevejo o incerto,
névoa e náusea,
vomito lembranças,
que já esqueci.

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quarta-feira, março 05, 2008

Exéquias e um lamento.


Seguem pesarosos, os passantes,
em marcha fúnebre,
o féretro, o morto,
funesto enterro.

A cova, cavada funda,
encerra a alma, enterrada,
à unha, pele, ossos,
traça seu caminho,
para o outro lado.

Flores coroam o mausoléu,
lágrimas vis evaporam,
no bafejo morno do ataúde.

Era sua hora, acertada,
em nem um minuto,
prorrogada.


Morreu, dia 1ª de março, a Jéssica, do blog Lugar Gostoso. Uma pessoa ímpar, generosa e extremamente energizada. Lutou com uma bravura incrível contra um câncer destruidor. Eu tinha um carinho especial por ela, uma das primeiras blogueiras que conheci. Quando escrevi esse texto tinha um motivo, no íntimo eu sabia, mas não queria acreditar. Tenho certeza que ela foi muito bem acolhida.

(originalmente publiquei no dia 03/03)

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quinta-feira, setembro 06, 2007

Escolhas


Rezem o credo, o terço,
a suplicante oração,
expiem suas culpas, contritos,
ajoelhem-se em penitência,
implorem perdão, supliquem
aos deuses, todos eles,
roguem.

Invistam no diálogo hipócrita,
a troca muda de palavras vazias
a salvação confusa, o alívio
e, do umbral do templo,
mirem as veredas abertas
as trilhas.

Escolham uma, apenas uma,
seres confusos,
pecadores.


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Aos sábados, estarei escrevendo um texto inédito no blog Livro Aberto. Prestigiem.

Leiam o blog Pseudo-Poemas. Leiam também o que publico no Cantábile. Em ambos estão os textos proibidos pela Bíblia e pelo Vaticano. E agora no Memórias Póstumas de um Puto Prestimoso.

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sexta-feira, agosto 24, 2007

Enredo


O que eu penso?
ah o que eu penso
tantos fios entremeados
fiados com a roca rangente
das lembranças teimosas.

Embaraçado em meios pensares
conflitantes
tranformados em invisível teia
vibrando a cada presa capturada.

Desconstruo, finalmente, fio a fio
as tramas deformadas.

Coloco abaixo
as falsas esperanças.


Especialmente para a 1º Lady Newton.
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Leiam o blog Pseudo-Poemas. Leiam também o que publico no Cantábile. Em ambos estão os textos proibidos pela Bíblia e pelo Vaticano. E agora também no Memórias Póstumas de um Puto Prestimoso.

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quarta-feira, agosto 15, 2007

Erros


Desatento
esbarro nela
incorpórea pessoa,
não, não reparo
nos carinhosos olhos
vívidos
do brilho intenso
tristes, talvez?
não percebo
o meneio da cabeça, arguta
astuta mulher
perco-a
carne, sangue, sentimentos
destino
em meio às multidões
de corpos etéreos
brumas.


Especialmente para a Ana Paula, baseado em seus fatos reais.

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Visitem o "Bêbado de Rayol" no Pseudo-Poemas. Leiam também o que publico no Cantábile. Em ambos estão os textos proibidos pela bíblia e pelo Vaticano. E agora também no Memórias Póstumas de um Puto Prestimoso.

O livro "Brincando com Palavras", da nossa amiga Márcia (Clarinha) está se consolidando como um sucesso. Se quiserem ajudá-la, divulguem a obra publicada. Para adquirir o seu exemplar, visitem o blog.

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segunda-feira, julho 09, 2007

Eu


Sou imperfeito
em minhas amarguras
sofro, em agonia,
pelos motivos errados
espúrios, amorais
sou perfeito
em minhas dores
suporto, estóico
tempestades, avalanches
a lança retorcida na carne
dou minha cara a tapa
sem pudores
carrego, como cangalha,
o peso do mundo
sou justiçado
pelos meus atos
perfeitamente
imperfeitos.


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Prestigiem o Pseudo-Poemas. Leiam também o que publico no Cantábile. Em ambos estão os textos proibidos pela bíblia e pelo Vaticano. Leiam os blogs que estão linkados aqui, todos excelentes. E visitem os blogs do "Letras para Maiores". Surpreendentes.

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domingo, fevereiro 25, 2007

Em branco


Noite
Lúcida, insana
Sólida solidão
Escrevo solto
Palavras angustiadas
Aceita-me
Em prantos
Puro
Papel branco







(Réplica ao poema Noturno, da minha amiga Saramar. Desconheço o autor da imagem)

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segunda-feira, novembro 27, 2006

Eu, o rio


Sou transparente
Como águas de um rio
Caudaloso
Como as corredeiras
Uma cachoeira
Que desperta
Inegável paixão
Arrasta
Em remoinhos
Alucina
Os sentidos


(desconheço a autoria da imagem)

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quinta-feira, novembro 23, 2006

Elo

Une, almas
Aproxima
Seres
Que almejam
Coisas, comuns
Complexas
Atrai-a
Respeite-o
Elo único

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terça-feira, novembro 07, 2006

Exclusão


Bate martelo
Bate-estaca
Tremem Alicerces
Paredes se erguem

Muro contido
Intransponível
Intocável
Bloqueia, separa

Vidas fechadas
Inseguras
Inertes
Impossíveis

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