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sábado, março 12, 2011

A cura

Nasceu quase prematuro. Foi um sufoco seu primeiro contato com o mundo. Foi cercado de carinho e atenção. Sobreviveu. Mas não sem sequelas. Aos 6 anos seus pais, abastados e amorosos, foram atingidos pela dura realidade. Seu filho querido, tão desejado, era portador de uma doença degenerativa. Não se conformaram, foram a luta. Pesquisaram. Visitaram os principais centros médicos no mundo. Recorreram aos mais notórios especialistas. Descobriram verdades terríveis. A doença tinha cura, os fabricantes de medicamento é que não se interessavam, muito caro produzir para tão poucos. Inteligentes e autodidatas investiram tempo e dinheiro em um tratamento alternativo. Apoiados pelos mais renomados médicos desenvolveram a cura. Mas seria demorado e, talvez, dolorosa. Ano após ano pequenas vitórias. No entremeio liam livros clássicos, poesias, proporcionavam ao pequeno herdeiro um conhecimento acessível para poucos. Ansiavam pelo dia em que seu filho teria sua vida de volta. Especulavam sobre o que se passava na mente deste ser que se tornava um adulto. Não tinham mais vida, os pais. Tudo girava no entorno do fim do tormento. Em determinado ponto iniciaram a fisioterapia. Músculos e tendões se reforçaram. O erguer-se foi comemorado em um quase êxtase. Afinal, caminhara sozinho, sem palavras.


Na primeira noite são, o agora jovem adulto levantou-se, no meio da noite. Foi até o quarto dos pais e degolou-os. Pegou um táxi e foi a um bordel.

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segunda-feira, setembro 22, 2008

Encontro marcado

Esperara por anos aquele dia. Contara as horas e minutos. Imaginara como seria o encontro. Cada passo, cada gesto, cada palavra. Com esmero se preparou. No momento certo ouviu um silvo, agudo, ensurrecedor. O contato áspero da foice em seu pescoço não foi surpresa. Surpresa era a face da morte. Não a imaginara tão bonita.

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segunda-feira, maio 19, 2008

Figuração

Superlativo, pleonástico, se valia das prosopopéias e mantinha aquele ar misterioso, calado. Abria a boca apenas para onomatopéias, algumas subliminares interjeições adverbiais. Transitava, despreocupado, pela hipálage. Criava hipérboles paradoxais. Era um mestre da antífrase. Afinal, era metonímico, alegoricamente antonomásico. Abraçou, no fim da vida, a causa sinestésica. Angustiava o coração com catacreses. Morreu de metalepse fulminante, sem nenhuma antítese. Por ironia, sua lápide foi sua obra-prima, a suprema perífrase.

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domingo, maio 18, 2008

Amanhecer

Era alvorada. Cuidadoso, abriu a porta. Silencioso, observou cada objeto da sala. Conformado, tomou do revólver. Desapaixonado, descarregou a arma no maldito galo.

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sábado, maio 17, 2008

Patíbulo

O processo foi extenuante. Condenada, caminhou lentamente ao longo do corredor. Perguntada quais suas últimas palavras, respondeu: Aceito!


Inspirado nesse mini-conto AQUI.

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sexta-feira, maio 16, 2008

Metamorfa

Claustrofóbica, forçou a parede. Quis, a natureza, que assim fosse a triste sina da borboleta.

Originalmente publicado no Twitter. Tenho tentado escrever lá pequenos textos como esse.

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segunda-feira, maio 12, 2008

Procurava, desesperada, por companhia. No beco escuro entrou, onde sentiu o lascivo roçar nas pernas. Arrogante, acendeu um cigarro. Eram apenas ratos.

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quarta-feira, abril 30, 2008

Vela

Do timão tomou a frente, singrou mares inclementes, bordejou, arribou e, ao final, aportou. Exatamente de onde saíra.

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segunda-feira, abril 21, 2008

Salvador


Contavam, num passado D'ali há não muito tempo, que um bigodudo louco pinta relógios como terapia presente. Colocava-os para secar e, num futuro póstumo, derreteriam-se.

(li AQUI e não resisti a tentação)

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quarta-feira, abril 16, 2008

Tropeços

Andava cabisbaixo na praia. Pensava em um sentido para sua inútil vida. Tropeçou numa garrafa. "Procuro um amor". A intensidade da mensagem o assombrou. Era tudo o que mais desejava. Haviam ouvido seus apelos, finalmente. Saiu em disparada, sem ao menos se despedir. Vadeou rios. Escalou montanhas. Atravessou mares tempestuosos. Comeu as sobras dos ricos. Na pequena cidade encontrou a missivista, uma simpática velhinha cega e surda.

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segunda-feira, abril 07, 2008

Teoria

Tinha um problema no qual pensava sem parar. Angustiado, deitou-se na banheira. Ao ver a água transbordar bradou: “Eureca”.

Sua mulher, esbaforida, vendo a bagunça grita: “Archimedes seu imprestável, vai pegar o pano!”.

E assim nasceu mais uma teoria.

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