Superlativo, pleonástico, se valia das prosopopéias e mantinha aquele ar misterioso, calado. Abria a boca apenas para onomatopéias, algumas subliminares interjeições adverbiais. Transitava, despreocupado, pela hipálage. Criava hipérboles paradoxais. Era um mestre da antífrase. Afinal, era metonímico, alegoricamente antonomásico. Abraçou, no fim da vida, a causa sinestésica. Angustiava o coração com catacreses. Morreu de metalepse fulminante, sem nenhuma antítese. Por ironia, sua lápide foi sua obra-prima, a suprema perífrase.
Segunda-feira, Maio 19, 2008
Domingo, Maio 18, 2008
Amanhecer
Era alvorada. Cuidadoso, abriu a porta. Silencioso, observou cada objeto da sala. Conformado, tomou do revólver. Desapaixonado, descarregou a arma no maldito galo.
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Sábado, Maio 17, 2008
Patíbulo
O processo foi extenuante. Condenada, caminhou lentamente ao longo do corredor. Perguntada quais suas últimas palavras, respondeu: Aceito!
Inspirado nesse mini-conto AQUI.
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Sexta-feira, Maio 16, 2008
Metamorfa
Claustrofóbica, forçou a parede. Quis, a natureza, que assim fosse a triste sina da borboleta.
Originalmente publicado no Twitter. Tenho tentado escrever lá pequenos textos como esse.
Publicado por Ricardo Rayol às Sexta-feira, Maio 16, 2008 |
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Segunda-feira, Maio 12, 2008
Procurava, desesperada, por companhia. No beco escuro entrou, onde sentiu o lascivo roçar nas pernas. Arrogante, acendeu um cigarro. Eram apenas ratos.
Publicado por Ricardo Rayol às Segunda-feira, Maio 12, 2008 |
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Quarta-feira, Abril 30, 2008
Vela
Do timão tomou a frente, singrou mares inclementes, bordejou, arribou e, ao final, aportou. Exatamente de onde saíra.
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Segunda-feira, Abril 21, 2008
Salvador

Contavam, num passado D'ali há não muito tempo, que um bigodudo louco pinta relógios como terapia presente. Colocava-os para secar e, num futuro póstumo, derreteriam-se.
(li AQUI e não resisti a tentação)
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Quarta-feira, Abril 16, 2008
Tropeços
Andava cabisbaixo na praia. Pensava em um sentido para sua inútil vida. Tropeçou numa garrafa. "Procuro um amor". A intensidade da mensagem o assombrou. Era tudo o que mais desejava. Haviam ouvido seus apelos, finalmente. Saiu em disparada, sem ao menos se despedir. Vadeou rios. Escalou montanhas. Atravessou mares tempestuosos. Comeu as sobras dos ricos. Na pequena cidade encontrou a missivista, uma simpática velhinha cega e surda.
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Segunda-feira, Abril 07, 2008
Teoria
Tinha um problema no qual pensava sem parar. Angustiado, deitou-se na banheira. Ao ver a água transbordar bradou: “Eureca”.
Sua mulher, esbaforida, vendo a bagunça grita: “Archimedes seu imprestável, vai pegar o pano!”.
E assim nasceu mais uma teoria.
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