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Sábado, Julho 05, 2008

Fio da navalha

Praticara arduamente, dia e noite. Estava preparado. Os frios olhos, agora assassinos, fixavam sua vítima. Ao sacar da faca não haveria mais volta. Pronto, feito. O sushi fora mais fácil que pensara.

Domingo, Junho 15, 2008

Fuga


Fujo das arraigadas convicções,
das tramas sem sentido,
do asco que provoco,
carne e ossos, apodrecidos

Fétido odor, meu corpo exala,
perfume para os abutres,
banquete de vermes.

Em chagas, meus pés vertem o sangue,
de minha vergonha.

Segunda-feira, Maio 19, 2008

Figuração

Superlativo, pleonástico, se valia das prosopopéias e mantinha aquele ar misterioso, calado. Abria a boca apenas para onomatopéias, algumas subliminares interjeições adverbiais. Transitava, despreocupado, pela hipálage. Criava hipérboles paradoxais. Era um mestre da antífrase. Afinal, era metonímico, alegoricamente antonomásico. Abraçou, no fim da vida, a causa sinestésica. Angustiava o coração com catacreses. Morreu de metalepse fulminante, sem nenhuma antítese. Por ironia, sua lápide foi sua obra-prima, a suprema perífrase.

Quarta-feira, Fevereiro 20, 2008

Fuga


Reviro os armários,
de lembranças caóticas,
não divido os fardos,
do imaginário ser irreal,
que vejo refletido na janela.

A estação me espera,
não de flores ou folhas descaídas,
a da partida, a fuga escolhida.

Fiz as malas,
as lembranças, agora,
ordenadas.


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A verdadeira face da minha irmã siamesa, vejam AQUI.

Domingo, Dezembro 09, 2007

Fardo


Minha boca se abre
arfante, a dor rasga
em esgar.

Carrego o fardo,
a cruz de ferro,
a coroa espinhosa,
de desejos.

E, em lamentos,
vou, em desvios,
me perdendo.


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Participem da blogagem coletiva "Internet e poesia, isso combina?" que vai rolar no dia 11 de dezembro. Ajudem a divulgar e dêm sua opinião no blog oficial do debate (aqui) sobre o mesmo tema, que irá acontecer no dia 15 de dezembro, às 15 horas, na Feira do Livro de Florianópolis, organizado pelo Rodrigo Capella.

Em tempo: Se puderem me avisem sobre a participação por email ou nos comentários no dia da blogagem.

Quinta-feira, Setembro 20, 2007

Festa


Unimo-nos festivos
bêbados regurgitados, o fétido hálito,
putas remelentas e seu amargoso perfume,
maltrapilhos, mendigos, mortos-vivos.

Saudemos a bacanal,
orgia desenfreada, ébria
encontro profano de anjos
decaídos.


Escrito pelo "Bêbado de Rayol", caído em uma sarjeta qualquer. Originalmente publicado no pseudo-poemas.

Sexta-feira, Agosto 31, 2007

Funeral


Passo, compasso, passo
ritmo destroçado
do pulsante pulso
em cadente decadência.

Acompanham o féretro fétido
de um corpo sujo,
envolto na mortalha crua,
da carne putrefata.

Flores mortas, murchas, estragadas
enfeitam, em festiva tristeza,
tal procissão promíscua.

Vagabundos e putas, mal dormidos
bêbados inveterados, ébrios
os maus, em penitência
todos eles saúdam
à mim, a morte.


Escrito pelo Bêbado de Rayol, numa chuvosa tarde, em um beco escuro.

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A partir de amanhã, e em todos os sábados, estarei escrevendo um texto inédito no blog Livro Aberto. Prestigiem.

Leiam o blog Pseudo-Poemas. Leiam também o que publico no Cantábile. Em ambos estão os textos proibidos pela Bíblia e pelo Vaticano. E agora no Memórias Póstumas de um Puto Prestimoso.

Segunda-feira, Julho 30, 2007

Fugindo


Me cerco
de paredes
uniformes
de perfeita métrica.

Trago marcas
profundas
provas gravadas,
no corpo,
selvagemente tatuadas
à fogo,
fuga.

Isolo a todos
e
em segredo
torturo lembranças,
as inocentes vítimas
de atos
desatinados

Cela redentora,
angustiante refúgio,
a perfeita prisão.


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Visitem o Pseudo-Poemas. Leiam também o que publico no Cantábile. Em ambos estão os textos proibidos pela bíblia e pelo Vaticano. E agora também no Memórias Póstumas de um Puto Prestimoso.

Prestigiem o lançamento do livro BRINCANDO COM PALAVRAS, da nossa amiga Márcia (Clarinha). Se quiser ajudá-la, divulguem a obra publicada. Para adquirir o seu exemplar, visitem o blog.

Segunda-feira, Julho 23, 2007

O fim


Sombras, negras sombras
turvam meu caminho
corro, desarvorado,
em meio à névoa pútrida
busco, desesperançado,
uma saída.

Ouço gritos
agonizantes
paro, ofegante,
em meio ao caos.

Me ardem os olhos,
sufoco em ares impregnados
de morte.

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Visitem o Pseudo-Poemas. Leiam também o que publico no Cantábile. Em ambos estão os textos proibidos pela bíblia e pelo Vaticano. E agora também no Memórias Póstumas de um Puto Prestimoso.

Prestigiem o lançamento do livro BRINCANDO COM PALAVRAS, da nossa amiga Márcia (Clarinha). Se quiser ajudá-la, divulguem a obra publicada. Para adquirir o seu exemplar, visitem o blog.

Sexta-feira, Fevereiro 23, 2007

Fala


Língua
Faca amolada
Imola
Palavras
Fio cortante
Penetrante
Mortal instrumento
Língua afiada



(Imagens cedidas pelas amigas Silvana e Mary. Desconheço os autores das imagens)

Sexta-feira, Janeiro 26, 2007

Fortuna


Sorte
Desejada, inesperada
Compartilha ilusões
Compactua
Destinos
Traz-me notícias
Alvissareiras
Voláteis areias
Escorrem entre dedos
Ampulheta
Irrealizações
Sonhos feitos, pueris
Inalcançáveis
Sorte cruel
Maldita Sorte

Segunda-feira, Dezembro 04, 2006

Feitiço


Magia etérea
Seduz
Converte
Caminho impossível
Tentador
Pecaminoso
Ofusca sentidos
Egos
Conceitos
Cria ilusão
Amor
Sofrimento

(desconheço, como sempre, a autoria da imagem)

 
©2006-2007 ''A Cor da Letra' (adaptado Blue 3 colunas)' Por Claudya R.
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