terça-feira, maio 27, 2008

Além

Uma boa noite lhe desejo, meu caro, ou um bom dia tardio. Sabei-me um embriagado esse que vos escreve. O céu amanheceu cinzento, como o pesado coração que carrego. A fronte retumba como címbalos. Sei lá eu que maldita bebi. Vestido em ricos andrajos, lembro vagamente do cambaleante andejar. Tracei meu rumo pelas estrelas, assim não me perderia entre os becos imundos. Parece-me que hoje já não sou aquele que era. Perdi as estribeiras, o siso, a questão irrespondível. Mas logo, o bafejo da maresia, naquela última esquina na praia de tão alegres lembranças, trouxe-me alento, meu amigo. Aspirei o ar salgado e, agora lúcido, pude vislumbrar a penúria de minha situação. Decidido vou-me, mas sem antes dizer-lhe que o convívio consigo foi um privilégio.

Não haverá mais o singelo florir de Ipês. Nem jamais irão chilrear os sabiás.

Parto, mas volverei.

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