terça-feira, novembro 27, 2007

Interior-cidade

Sou um curioso, que na natureza humana me embrenho. Pretendo ser um explorador, quando sou eu o explorado. Observo os passos e meneios dos que me cercam. Imagino, ingenuamente, o que fazem de suas vidas. Seu dia-a-dia comezinho. Invento diálogos. Imaginárias famílias, tramas e dramas. Teço, incólume, minha teia. Arremedo de armadilha mortal, o terço. Escapam-me certas nuances. Talvez por ter, eu mesmo, uma vida monótona. Viver na janela, atormentado pelo nada, vendo a vida passar.

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Falatório. É o que ouço. O coreto é o perfeito confessionário, construído sobre notas desafinadas. O marcar do bumbo ritma o passo dos passeantes. As senhorinhas em seus trajes negros, afortunado luto, que as livrou do pesado tacão de seus senhores. As moçoilas, excitáveis, ansiosas pelo primeiro beijo e pelo despudorado amassar de corpos nos muros escuros. Os imberbes, estúpidos bovinos, lançando esgares que chamam de sorriso. Fanfarrões precoces. As famílias, alegres em sua perfeita marcha, fúnebre. A tudo isso, observo, calado. A triste rotina, do passear vespertino e preguiçoso, na velha praça, nos domingos modorrentos.


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