sexta-feira, agosto 31, 2007

Funeral


Passo, compasso, passo
ritmo destroçado
do pulsante pulso
em cadente decadência.

Acompanham o féretro fétido
de um corpo sujo,
envolto na mortalha crua,
da carne putrefata.

Flores mortas, murchas, estragadas
enfeitam, em festiva tristeza,
tal procissão promíscua.

Vagabundos e putas, mal dormidos
bêbados inveterados, ébrios
os maus, em penitência
todos eles saúdam
à mim, a morte.


Escrito pelo Bêbado de Rayol, numa chuvosa tarde, em um beco escuro.

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A partir de amanhã, e em todos os sábados, estarei escrevendo um texto inédito no blog Livro Aberto. Prestigiem.

Leiam o blog Pseudo-Poemas. Leiam também o que publico no Cantábile. Em ambos estão os textos proibidos pela Bíblia e pelo Vaticano. E agora no Memórias Póstumas de um Puto Prestimoso.

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quinta-feira, agosto 30, 2007

Coletânea Artesanal

Hoje estou aqui com dois dos meus escritos. Vale a pena a visita.

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segunda-feira, agosto 27, 2007

Olhares


Marchem aflitos,
um único bloco, de corpos
sintam o peso do açoite, grilhões
na rítmica e acelerada marcha
de escravizados olhares.

Em cada um
esperanças vãs
anseios frustrados
intensos lampejos apagados
angustiantes visões.

Vejam, refletidos,
em cada espelho
seus infortúnios
mirem-se nas derrotas alheias
mostrem-se incapazes, implorem,
em mudos pensares
uma reação.

Revoltem-se olhos doces, de puro mel,
assaltem as costas
em tempestuosas ondas, verde olhar
lampejem, olhos, em raios azuis,
tornem-se negros.

Despejem sua ira,
ódio implacável,
subvertam-se, lutem
e, em chamas inclementes
das profundas íris,
teus malditos algozes,
queimem.


À todos os olhares que passeiam em minhas letras.

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domingo, agosto 26, 2007

Do ato de blogar

Hoje li um comentário, em um dos meus posts, sobre a reciprocidade da visitação. Como já estava há um tempo fazer uma egotrip vou aproveitar para vestir a carapuça e esclarecer algumas coisas.

Tento, e com intensidade, visitar a todos que tenho linkado aqui e nos outros blogs. Claro que nem sempre dá. Sem contar que respondo a cada comentário que recebo individualmente. E também, de vez em quando, durmo. Minhas visitas não estão vinculadas à reciprocidade. Meu critério de linkar alguém é direito exclusivo meu e só retiro o link quando vejo que o seu autor deletou o blog ou deixou de postar por muito tempo. Não que eu ache que é uma obrigação escrever, mas se desitir não custa nada deixar um aviso.

Quem me visita sabe a diversidade de blogs que eu tenho. Foi uma forma que encontrei de me organizar e, quando escrevo, assumo cada personalidade. Quem me conhece também sabe do meu humor tosco. Reconheço, sou tosco, debochado, desbocado e implicante. Tirando alguns entreveros evito, porém, ser mal-educado. E não sou em absoluto senhor da verdade, já me retratei aqui várias vezes, e não sou arrogante. Muito menos famoso. Se alguém acredita que "me acho" deve, com urgência, rever seus conceitos.

Escrever em blogs tem sido minha grande terapia, alguns, que aqui frequentam há mais tempo, devem se lembrar que passei por um problema de saúde e que escrever foi a forma que encontrei de fazer minha terapia. Isso necessariamente passa por não me estressar. Não vivo de blogs, por mais planos que tenha para o Juarez, o Cabrito Montês por exemplo. Tenho vida profissional, não do sexo infelizmente, como todos. Além disso, tenho outros compromissos pessoais que me tomam tempo. Sou o indignado, o pseudo-poeta, o escritor de estórias infantis, o mago oportunista e o puto, cada um a seu tempo. Sou também o Glênio Gangorra, o mais chato dos chatos, estou impressionado que apenas a Pati, do S.OB.R.E.T.U.D.O., tenha quase descoberto minha identidade secreta.

Em resumo, nunca quero sentir a obrigação de nada. Ia ser uma baita de uma merda.

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sexta-feira, agosto 24, 2007

Enredo


O que eu penso?
ah o que eu penso
tantos fios entremeados
fiados com a roca rangente
das lembranças teimosas.

Embaraçado em meios pensares
conflitantes
tranformados em invisível teia
vibrando a cada presa capturada.

Desconstruo, finalmente, fio a fio
as tramas deformadas.

Coloco abaixo
as falsas esperanças.


Especialmente para a 1º Lady Newton.
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Leiam o blog Pseudo-Poemas. Leiam também o que publico no Cantábile. Em ambos estão os textos proibidos pela Bíblia e pelo Vaticano. E agora também no Memórias Póstumas de um Puto Prestimoso.

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quarta-feira, agosto 22, 2007

Divulgando

Tem post novo lá no Juarez, o Cabrito Montês. Leiam aqui.

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Segredos


O que nos leva a ter segredos?
um sopro de esperançoso vento,
que bafeja nosso rosto sequioso de liberdade?
o fio de meada partido,
dos pensamentos ilógicos e incoerentes?
torcidas e retorcidas lembranças,
detalhes devassos de inocentes gestos?
a troca de olhares profanos,
em meio às lúdicas orações, emanadas do púlpito?

O que nos traz para trás dessa porta?


Texto inspirado em "Saudades..." do blog Cor de Dentro, da minha querida amiga Claudia Perotti
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Leiam o blog Pseudo-Poemas. Leiam também o que publico no Cantábile. Em ambos estão os textos proibidos pela Bíblia e pelo Vaticano. E agora também no Memórias Póstumas de um Puto Prestimoso.

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segunda-feira, agosto 20, 2007

Escritor

Depois de horas, olhando aquela resma de papel, me dei por vencido. Meus dedos travaram, minha boca secara. A mente se transformara em um campo estéril, sem vida. Minhas idéias se diluíram no mar de álcool consumido. Olhei o fundo do copo. Nenhuma gota, nada. A inspiração não deu sua cara, debochada. Ficou, talvez, perdida em meio à fumaça, dos muitos cigarros que fumara. O silencio era quebrado pelo bater ritmado do relógio de parede. A penumbra sufocante daquele quarto não me dava trégua, insuportável. Angustiado resolvo sair. Pela janela observara o movimento sutil da cidade. Talvez ali encontrasse essa musa desgraçada que atira, sem piedade, seu escárnio em meu rosto. Um vento frio me envolve. Uma bofetada. Encolho-me. Caminho pelas ruas já escuras. Ouço o som dos carros, das risadas bêbadas de algum bar próximo. Meus passos são absorvidos pelo pulsar do coração pétreo que sustenta a cidade. Pedras, pedras. Desvio para o beco mais próximo. Talvez ali, em meio ao fétido cheiro de lixo apodrecido, encontre-a. Musa, vagabunda. Flertando com outro, como uma rameira. Talvez na próxima esquina. Atento, ouço passos. Um tiro. O grito amargurado transborda da janela semi-aberta.

Encontro, enfim, a inspiração.

Leiam "Louco" um pouco mais abaixo.

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Leiam o blog Pseudo-Poemas. Leiam também o que publico no Cantábile. Em ambos estão os textos proibidos pela Bíblia e pelo Vaticano. E agora também no Memórias Póstumas de um Puto Prestimoso.

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domingo, agosto 19, 2007

Divulgando

Depois de muita meditação e orações ao divino, o grande mago esotérico oportunista, Heitor Caolho, a quem tenho a honra e privilégio de psicografar, lançará, no Jus Indignatus, sua coluna "O Mago Responde". Esse iluminado luminar dos caminhos espirituais tem recebido inúmeros emails, de personalidades brasileiras e mundiais, com as mais diversas dúvidas nirvânicas. A partir da próxima quinta-feira não percam suas ponderadas orientações aos necessitados.

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quarta-feira, agosto 15, 2007

Louco

Observava, na esquina escura daquele beco fedorento. A fumaça do cigarro irrita meus olhos. Mas não perco de vista a janela. Não uma janela qualquer, a janela dela. Pensava nos últimos dias. Em como eu, cafajeste, havia caído tanto. Me sentia sem chão. Meu mundo todo revirado. Por causa dela. Todas as minhas angústias e medos surgiram. Como um furacão, varrendo para longe toda e qualquer esperança de proteção. Seu perfume, o cheiro que exalava depois do banho, suas curvas, aquele olhar safado e ao mesmo tempo terno. Suas doces palavras de carinho. As horas ao meu lado. Sua mão me amparando quando caía na sarjeta, embriagado. Sangrava por ela. Pela mulher-amante que tinha esbarrado sem querer. “Mas que merda!”, exclamei mentalmente. Onde estariam meus brios de macho comedor? Como iria encarar a roda do bar. Onde conto minhas conquistas, cada detalhe sórdido, das trepadas que dava. Onde bebo com prazer os olhares invejosos dos meus amigos. Onde tantas vezes enchi a cara para esquecer, dela. A janela escura não dava o menor sinal de esperança. Esperança de quê, porra? De ter uma vidinha mais ou menos, da infernal rotina do casamento? Do papai-e-mamãe regulamentar, que tantas vezes ouvira os otários casados reclamarem? Que se foda. Eu quero esta merda. Casaria com prazer, com ela. Por que não disse antes? Sou uma besta. Agora estou aqui, numa esquina fétida, angustiado, cercado por amarguras, desesperançado. Onde estará ela? No mínimo trepando com outro otário, que se deixou levar pelo canto de sereia. Vagabunda. Meus chifres crescem. Cadê a maldita garrafa? Aqui, aqui, ah, minha companheira, que tanto me consolou. Que presenciou minhas conquistas fugazes. Apoiou nas horas incertas e inúteis. Dê-me um gole. Um não, vários. Preciso de lucidez, coragem. Vislumbro um vulto. Há luz agora. É ela, minha amada. Não, a piranha que me sugou a alma. Apago o cigarro, o último. Dou meus passos. Dou-lhe um tiro.

Vagabunda.


Escrito pelo Bêbado de Rayol.

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Publicado originalmente no blog Pseudo-Poemas. Leiam também o que publico no Cantábile. Em ambos estão os textos proibidos pela bíblia e pelo Vaticano. E agora também no Memórias Póstumas de um Puto Prestimoso.

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Erros


Desatento
esbarro nela
incorpórea pessoa,
não, não reparo
nos carinhosos olhos
vívidos
do brilho intenso
tristes, talvez?
não percebo
o meneio da cabeça, arguta
astuta mulher
perco-a
carne, sangue, sentimentos
destino
em meio às multidões
de corpos etéreos
brumas.


Especialmente para a Ana Paula, baseado em seus fatos reais.

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Visitem o "Bêbado de Rayol" no Pseudo-Poemas. Leiam também o que publico no Cantábile. Em ambos estão os textos proibidos pela bíblia e pelo Vaticano. E agora também no Memórias Póstumas de um Puto Prestimoso.

O livro "Brincando com Palavras", da nossa amiga Márcia (Clarinha) está se consolidando como um sucesso. Se quiserem ajudá-la, divulguem a obra publicada. Para adquirir o seu exemplar, visitem o blog.

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segunda-feira, agosto 13, 2007

Besteirol


Como palhaço,
desse circo cíclico
equilibro-me perdido
na corda bamba do desencontro.

O picadeiro ausente,
de postes circulares,
sustenta, ciclicamente,
minhas circunstanciais declamações.

Ao respeitável público
que em círculos
se renovam
do alto do trapézio
saúdo-os.

E me lanço em ciclos
destemido
na invisível rede.

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Busca


Hoje
não quero escrever
não procuro amarguras
nego-me a poetar.

Sem sintonia
sentado à margem,
do caudaloso rio das letras,
observo reflexos.

Impotente,
vejo-me nos espelhos das almas
olhos que me cercam
observam-me inquisitivos.

Nada quero
apenas encontrar a poesia
perdida na carne, no sangue
escondida nas lágrimas.


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Visitem o "Bêbado de Rayol" no Pseudo-Poemas. Leiam também o que publico no Cantábile. Em ambos estão os textos proibidos pela bíblia e pelo Vaticano. E agora também no Memórias Póstumas de um Puto Prestimoso.

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sexta-feira, agosto 10, 2007

Remanejo


Entrei em Rota de colisão
comigo mesmo
minhas idéias
meus sentires loucos.

Debato-me pelas paredes
beco escuro, paredes gotejantes
meu traçado antes
linear
de manso navegar
em encruzilhadas abre-se.

Devo virar essas esquinas
romper as páginas, quebrar cadeias
criar meu caminho
próprio, apenas meu.




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Prestigiem o blog Pseudo-Poemas. Leiam também o que publico no Cantábile. Em ambos estão os textos proibidos pela bíblia e pelo Vaticano. E agora também no Memórias Póstumas de um Puto Prestimoso.

O livro "Brincando com Palavras", da nossa amiga Márcia (Clarinha) está se consolidando como um sucesso. Se quiserem ajudá-la, divulguem a obra publicada. Para adquirir o seu exemplar, visitem o blog.

A imagem que ilustra este post é de autoria do bom amigo Oscar Luiz do blog Flainando na Web.

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quinta-feira, agosto 09, 2007

Trilha


Em trôpegos tropeços
faço meu caminho
de bar em bar,
copo em copo,
puta em puta,
testo, degusto
cachaças variadas
corpos de inúmeros cheiros
formas, cores.

As sarjetas são meu alívio
confessionário
e, a cada trago,
angustiantes trepadas,
dou mais um passo
ao tão ansiado
funeral.


Escrito pelo Bêbado de Rayol inspirado por algo que leu no blog Íntima Loucura.

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Publicado originalmente no blog Pseudo-Poemas. Leiam também o que publico no Cantábile. Em ambos estão os textos proibidos pela bíblia e pelo Vaticano. E agora também no Memórias Póstumas de um Puto Prestimoso.

Prestigiem o lançamento do livro BRINCANDO COM PALAVRAS, da nossa amiga Márcia (Clarinha). Se quiser ajudá-la, divulguem a obra publicada. Para adquirir o seu exemplar, visitem o blog.

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terça-feira, agosto 07, 2007

Sentença


Marchamos
em única fila
lenta
longa,
os grilhões falam,
nos unem.

Sentenciados
marchamos vigiados
sol e ódio,
tempestuosos algozes.

Nossas mãos
em picaretas, pás
marretas transformadas,
desmontam os rochedos
de nossa penitência.

Choramos, em agoniada,
culpa
e cada lágrima vertida
desfaz os elos
de nossas correntes.



Uma réplica a um texto do blog da Erika.
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Visitem o "Bêbado de Rayol" no Pseudo-Poemas. Leiam também o que publico no Cantábile (tem texto novo lá). Em ambos estão os textos proibidos pela bíblia e pelo Vaticano. E agora também no Memórias Póstumas de um Puto Prestimoso.

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segunda-feira, agosto 06, 2007

Peregrino


Arrasto-me, em chagas,
por improváveis sendas
carregado de cruzes, pedras,
pecados,
dôo-me em oração
desesperadas rezas
aguardo a resposta.

Tumbas envolvem-me, desnorteiam
castigado pelo infortúnio
não vejo o fim
de tão amargo sofrer.

No fim
em cruzeiros sagrados,
jamais profanados,
descarrego as súplicas
o destino traçado
enfim, é minha bandeira,
peregrinação.


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Visitem o Pseudo-Poemas. Leiam também o que publico no Cantábile (hoje tem texto novo). Em ambos estão os textos proibidos pela bíblia e pelo Vaticano. E agora também no Memórias Póstumas de um Puto Prestimoso.

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sexta-feira, agosto 03, 2007

Velo


Te vejo, deitada
em sua carruagem,
a última delas,
teu olhar
sereno
me tranqüiliza
deixa-me sóbrio.

Já não me contenho
a saudade, me afoga
e lágrimas.

Quero a despedida
do teu beijo,
que em lábios cerrados,
se encerra
encarcerada.

A clausura, claustrofóbica
de teu leito
agonia-me,
sei que te deixo
sozinha e
covarde, não segui
teus passos.

Em amargo canto,
despeço-me, meu amor,
incontido choro
me assombra.


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Visitem o Pseudo-Poemas. Leiam também o que publico no Cantábile. Em ambos estão os textos proibidos pela bíblia e pelo Vaticano. E agora também no Memórias Póstumas de um Puto Prestimoso.

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